domingo, 30 de dezembro de 2012

Programa Atalho e o meu 2012



Depois que voltei da Espanha e tive contato íntimo com uma linguagem que me instigava há muito, o audiovisual, a ponto de cair de paraquedas como assistente de direção do curta-metragem Pedro Caballero, Guionista, voltei querendo estrear a câmera nova e praticar o que aprendi em terras sevilhanas.

Foi aí que fui convidado pelo PET-RTV da Unesp a ajudar a criar um programa audiovisual para internet a ser pensado, discutido e executado durante o ano. Felizmente, foi o projeto a que dediquei o meu 2012.

Com uma equipe incrível (Mari, Bia, Giovani, Luci, Pablo, Laura, Fer, Vini, Alexandre, Vitor, Diana, Bruno e Beatriz), o Programa Atalho nasceu optando por percorrer o caminho mais difícil: ser jornalístico mas com estética própria e diferente da bancada do telejornal; ser documentário e não esquecer o valor-notícia e ser atraente em uma plataforma ainda a ser completamente explorada no audiovisual, a internet. Criamos, assim, o Programa Atalho, um produto de videorreportagens que transita entre a estética do documentário, a relevância jornalística e a rapidez da internet em três minutos de duração. Sempre tentando aliar pautas de interesse do público universitário e da cidade de Bauru.

Durante quatro meses de execução (os outros quatro valeram para estudo, discussão e programas-piloto), realizamos seis vídeos: Projeto Taquara/Bambu, Plenária dos Cursos de Comunicação, Fórum Regional de Hip Hop do Interior Paulista, Festival Interunesp MPB de Ilha Solteira, Semana de Jornalismo 2012 e Observatório de Astronomia da Unesp.

Dá muito orgulho ver cada um dos vídeos prontos e saber que valeu a pena todo o trabalho da nossa equipe em fazer algo em que acreditamos desde o início. Valeu Atalho! Que venha 2013!

Este último do Observatório é nosso xodó, confira aí abaixo:


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Textos do Arnaldo Branco

Só para lembrar que os textos do Arnaldo na Bizz e na Zé Pereira são tão fodas quanto os famigerados quadrinhos. E vamos ler.

Soul Wax + Bowie

Fora o fato de se um longa de mais de uma hora aludindo ao legado do Dave aí, ainda é dica para um som para festa.



RSWX presents Dave from Radio Soulwax on Vimeo.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

"Pedro Caballero, Guionista" na TV Unesp



Há pouco menos de um ano, eu estava em Sevilha, Espanha, durante intercâmbio. Tive a feliz escolha de não apenas estudar jornalismo durante minha estada de seis meses, mas também produção audiovisual. Assim, conheci um grande amigo na incrível aula de Trilhas Sonoras de Carlos Colón (trabalhou com Fellini, conhecia cinema como ninguém e era nada arrogante). O amigo  que conheci era o italiano Pierre Faiazza, estudante de cinema em Bergamo, Itália, que também assistia às aulas.

Papo vai, papo vem, nos tornamos amigos de sempre depois das aulas conversar sobre cinema, mulheres, a vida... Como éramos poucos os estrangeiros que estudavam comunicação audiovisual, foi fácil conhecer os outros amigos (Malu, Vadim, Paloma, Pietro, Lise, Gabo, Carmen e muitos mais) e esses fariam parte de uma ideia de projeto de Pierre: uma história de um roteirista que precisa dialogar com seu personagem para ter a sua trama completa.

Esse foi o início de Pedro Caballero, Guionista, curta-metragem que realizamos em Sevilha em que fui assistente de direção e que, quase um ano depois, teve sua exibição na TV Unesp dentro do programa Curta Unesp. Nele, eu e Pierre (ele por Skype e eu no estúdio) falamos sobre os momentos que passamos em Sevilha, a ideia do curta, o processo de produção e histórias que dão saudade.

Aqui o programa da TV Unesp com entrevista comigo e Pierre e o curta-metragem no final:


E aqui apenas o curta pra quem não quiser nos ver falar:




E, com o tempo, vejo e verei (acho) que o curta é cada vez mais um registro de um momento desses jovens em uma cidade tão linda (e agora emblemática para mim) que passamos por tão pouco tempo e que nos marcou tanto.


Atores: Gabo Da Luz Moreira, Manuel Gonzalez, Cristian Avila Dominguez, Lise Dieumegard.

Escrito, dirigido e produzido por Pierre Faiazza.

Assistente de Direção: Renan Simão
Direcão de Fotografia: Paloma Pineda
Operador de Câmera: Vadim Alsayed
Captação de Som: Eduardo Macias
Maquiagem: Laura Maria Villalba
Runner: Pietro Vallome
Música: Manuel Muriel Rivas.
Desenhos: Carmen Cardoso Garcia.
Catering: Melanie Godefry-Martin
Consultora: Samantha Jimenez Albi
Edição: Pierre Faiazza

Rodado em Sevilha, Espanha, em Janeiro de 2012.


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Eu no Screamyell: Entrevista Lucas Santtana



Divulgação

Como é de praxe, posto aqui meus trabalhos. O da vez, mesmo relativamente atrasado (de maio), é uma entrevista com Lucas Santtana que fiz junto com o Sérgio Vianna originalmente para o e-Colab e depois saiu no Screamyell. Muito orgulho entrevistar um artista que gosto muito e depois ver o resultado num blog que leio diariamente. Siga os links e dê uma olhada.



quinta-feira, 5 de julho de 2012

rotatória

A cabeça baixa. Os pés pesados sentindo cada passo até a porta do ônibus. Entrego o dinheiro para o motorista e espero o troco. Não confiro, coloco as notas no bolso, penso que sempre as coloco no bolso e não na carteira. Espero a fila da catraca. Dia quente, muita gente.

Agarro o ferro acima de mim e, de pé, sigo viagem. Os braços não fazem força, estão cansados. A mochila lembra meu corpo da realidade, dos deveres do trabalho, do peso. As gotas de suor caem por meu rosto, mas não as enxugo. Os olhos perdidos não querem motivo, mas vacilam e encontram algum rosto cansado dentro do ônibus e, felizes ou tristes, as pessoas não me dizem nada. As pernas se sustentam. Os braços seguram o ferro, suavizam os trancos do carro que, fortes ou fracos, não me importam.

Sem perceber, vejo a rotatória logo ali. Seguro o ferro com mais força e espero, sem vontade, a gravidade me forçando a sair do lugar. A rotatória tem algo no centro. É mato. O ônibus começa a curva: as mãos suadas deslizam, mas agarram a sustentação. Os braços se esquecem delas e relaxam aos poucos. Sinto os músculos se alongando, deixando os ossos encontrar outros lugares que não os mesmos de sempre. O ônibus que antes deixava-se ir com uma descida, acelera. As costas estralam. Deixo o peso dos pés se distribuir e suavemente vai equilibrando-se entre a base do calcanhar. O suor escorre para o pescoço, os olhos veem apenas o centro da rotatoria, o mato. O verde, antes morto, ganha movimento. Consigo ver os feixes de luz batendo no vidro e vindo aos meu olhos, coloridos, com a circunferência verde desfocada ao fundo. Estamos na metade do percurso e a minha mochila já descola das costas suadas, suspende-se no ar presa apenas pelas alças dos ombros, flutua, me força para trás, e deixo. Fecho os olhos. O corpo encurva-se quase por completo. Sinto as mãos o mínimo: apenas para lembrar que estão ali. Não sinto mais os braços. De relance, abro um olho e vejo o ônibus vazio, ergo a cabeça e fecho os olhos novamente. A caixa de lata antes hermética, agora recebe ar por todos os lados. Um vento vazio faz a cabeça erguer-se novamente querendo mais ar em movimento. Respiro fundo, devagar. As pontas dos pés passam rente ao chão mas não os tocam. E não quero mais voltar.



segunda-feira, 30 de abril de 2012

Medalhões revisited

Essa coisa de recriar capas de revistas ou de discos clássicos é recorrente. A revista Serafina, da Folha, revisitou discos clássicos com artistas de reconhecimento de nicho, sem ser mega-populares ou ter relação direta com gravadoras. Uma nova geração fazendo música por uma nova lógica homenageando os seus mestres.



Essa do Cartola/Criolo ficou classe.


Só precisam avisar eles para isso não acontecer a cada três anos. Em 2009, a Trip fez o mesmo com a capa clássica da Revista Realidade de 1966, quando lançava a nova safra da música brasileira da época funcionando como produção coletiva, um influenciando (não diretamente, é verdade) no trabalho do outro. Olha o resultado aí:



Homenagem ou artifício da crítica pra fortalecer uma cena, o resultado ficou bem legal. E a Trip acertou nas escolhas de Céu, Romulo Fróes e Hélio Flanders. Ganjaman e Kassin já eram figuras carimbadas: o primeiro com Planet Hemp e Racionais e Kassin com Los Hermanos, Acabou La Tequila e Orquestra Imperial.

Dá pra reconhecer todo mundo das fotos?